Poetray

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30 de jul. de 2014

Um minuto, por favor!

 Poetray Poetray




Um minuto, por favor!
Você é nosso convidado para uma leitura.

É com muita alegria que convidamos você para uma leitura diferente.

No livro “Um minuto, por favor! ”, o autor fala sobre as empresas de Telemarketing no Brasil, conta um pouco do seu passado e relata um período recente, de dificuldades; época em que trabalhava e estudava sob uma crise de depressão.
Os textos, apontamentos casuais escritos durante aquele período, é o conteúdo deste livro. O propósito é que seja útil, ou pelo menos, que sirva de inspiração para confirmar o imensurável valor que tem a vida.

Um forte abraço,
Poetray
Compre aqui o livro 'Nosso Tempo'

22 de mar. de 2013

Se me calo


E de repente eu me calo,
Não faço mais ruídos.
Deixo mais vazio o mundo
Sem meus gestos fluídos,
Sem meu nome...
Sem gemidos.

A única verdade é a morte; Por isso busco
A qualquer sorte a mentira,
Pois viver é bom viver
 _ é a melhor saída _ desde que
Seja mentira bem vivida.

Quem disse que sexo é pecado?
Eu não nasci pelado.
Nasci coberto de amor, e para amar, assessórios.
Seria indelicado fechar os olhos ao Criador
A um item do que sou _ criado.

Pensando bem, o dito nunca se cala
Já que a fala é muda
E a mudez a guarda e consome, sem ruído,
Na fala
Sem um gesto fluido,
Sem nome.

A candura e a ira
De mãos dadas,
A verdade e a mentira abraçadas.
Abraçadas à conduta
_ feito puta _
Indo sempre a lugar nenhum.
Assim é uma vida comum.
Eu quero ser diferente
Eu quero ser gente.
E gente grita;
Não, não sussurra.
Até quando se cala,
Não fala,
Urra.

1 de out. de 2012

Anjos


Hoje, caminham anjos comigo.
Cantam hinos
Cantam risos
Cantam a vida.

Também sou criança, velha,
 E a inocência sempre me enfeitiça.

Minha infância é meu abrigo
Onde ainda brinco com o futuro
Como se ele já não estivesse comigo,
Ou por mim já não tivesse passado.
E quando vejo o sentido da vida no riso do Rapha
E nos olhos da Raissa!...
Melhor senti-lo calados.

Ah, Raquel; Também te vejo, a criança que fostes. Linda!...

26 de set. de 2012

Atitude do amor

O amor rói,
Sem nenhum pudor,
Todo pudor que o homem constrói;
Depois,
Destrói e reconstrói,
Com todo pudor,
O amor.

25 de set. de 2012

Apelo

Meu corpo pedia para entender-se com teu corpo
Teu corpo correspondia

Nós os ignoramos
Nós nos omitimos.

Para não pecar, pecamos
Para não viver, fugimos.

Contudo,
Ainda há tempo
Ainda existimos.

Todavia, morremos;
Embora ainda nos sentimos.

24 de set. de 2012

Diz que diz que abstrato


Nada é eterno
eterno e absoluto...
Exceto o homem na sua singularidade;
por isso a nada me apego,
a não ser que me fortaleça meu ego
e aumente meu "abstratismo",
a tudo renego, porque sou homem,
sou único e eterno,
exceto pela minha singularidade, comum,
a que me apego.

Eterno, etéreo e absoluto;
nada que me pluralize,
nenhum rastro de luto.
Ademais, nenhum "ismo" a mais no meu ocultismo.
Só o absurdo.

Fim de feira



Domingo, fim de feira

A rua ao término da feira, leva um tempo para os nossos olhos se adaptarem à sua normalidade. Depois de varrida a última folha, até a limpeza parece estranha; falta naturalidade _ originalidade _, mas o cheiro recendente nos leva os sentidos a doce exuberância do pomar de lembranças.

Logo a paisagem vai se renovando: A última barraca desmontada, crianças, brincadeiras, jovens, vozes, gritos, meninas, moças, senhoras, gestantes, homens, carros, postes, fios, pássaros, pombos,... Pombos? Pombos já não são pássaros, são bichos comendo detritos de bichos e cagando infecção! Cães...
e os telhados que espiavam o movimento por sobre a lona das barracas exibem novamente suas estruturas, a área, o jardim;
E a morena bonita cantarolando, arrumando os cabelos, vê
 O gato na janela assobiando Jobim.

É bom o cheiro de feijão refogado.
A imagem na tv é a mesma da semana passada
A linguagem do outro século, exacerbadamente vulgar;
_ Perdão! Podem buzinar._
A linguagem é a de sempre: Vômito, podridão...
“Quem não se comunica se se trumbica”.
Que saudade da comunicação!


É domingo, os homens jogam e bebem.
Os bares estão cheios.
Quanto será que custa uma cerveja?
Rabo de galo dá dor de cabeça; e uma ressaca!
Pensar em conhaque me causa repulsa, e arrepio, dor de cabeça...
Pior que cachaça.

Puxa! Como tem mulheres alcoólatras e fumantes hoje em dia!
O preço do abacaxi tá um absurdo! É de morte!
E o pepino então!...
E o sexo?
E o coquetel? Mas os postos dão camisinha!
É melhor ser autólatra que alcoólatra?

Tudo custa.

Tudo embriaga. Tudo é vício, tudo vicia!
Até a rua
A noite
A poesia
A lua
A sarjeta
O abraço, o beijo
Os seios, o amasso, a... também vicia.
A dor
O remédio.
A solidão;...a procura.
Há cura!

Falo pelos cotovelos, sou um pentelho.
Nunca serei um busto.
Espelho.

Nunca serei um busto
Um monumento
Onde os pombos trepem
E se lubrifiquem se amando...
Cagando os detritos dos dejetos
Dos projetos dos homens: Nós, de salto alto,
O movimento,
Vivos, vistos do alto.

Nunca serei história
Também história nenhuma fiz nem farei.
Não sou história
Não nasci pra Colombo.
Não canto
Não conto
Não sou conto
Nem santo
Talvez pombo.

Nesse tempo, _ Tempo das águas _
Logo após a estiagem da tão esperada primeira chuva, o sol, lembra-me um velho e nossa primavera. Eu já o conheci cheio de rugas e grisalho, _ juro! _ a dançar entre as covas, semeando grãos, com amor e fé, e espalhando com os pés a terra para cobrir a esperança do futuro;
O suor escorrendo em seu rosto como água no leito de um sinuoso rio.
E seus cabelos pretos, entremeados de fios bancos sob o chapéu de feltro, reluzindo como orvalhos à sombra tocados pelos raios do sol da manhã. Ao meio dia, ave Maria!...
Água fresca e um assobio.

Sabedoria e humildade andavam de braços dados rezando, cantando e dançando, e compondo os novos passos para os jovens, e ainda imaturos, semeadores de esperanças.
Há vidas, há momentos, e há fatos que compõem nossas lembranças que são mais que perfeita poesia. É uma oração; é profecia. Um diálogo direto com Deus numa linguagem de semelhança de sentidos.

Tudo que Deus criou tem sua utilidade. E ser útil é o fundamento de toda criatura, portanto tornar-se útil, sentir-se útil é fundamental para se sentir ser vivo.

Não compreendemos os insetos, a razão de suas existências, mas eles cumprem seus compromissos para com a vida. Como as formigas, as abelhas, ainda são espelhos para o homem.
Tudo que Deus criou tem sua serventia, inclusive o homem. E é preciso viver dentro do limite da sua precisão. Nem mais nem menos.

Ele, meu velho, dizia coisas assim, enquanto dançava esmagando os torrões úmidos, esparramando a terra sobre as sementes escolhidas para plantio.
A fé sempre florescia primeira mesmo no estio.

Dele não se fez notícias
Não se fez nenhuma ode
Nenhuma epopeia.
Ele apenas cumpriu seu destino,
Nem mais nem menos. Sempre fora ele mesmo, o que era.
Fez-se o bastante no extremo da necessidade.

Mas eu tenho dele um retrato,
O seu autorretrato,
E como pano de fundo eu vejo o céu
Estampado mulher ostentando-o nas nuvens, sua esposa;
Minha mãe.

Domingo, fim de feira, bom vadiar assim, pensando, sem eira nem beira.

22 de set. de 2012

O roteiro


No centro velho, outrora pleno de glamour, acariciei meus olhos com arquitetura eclética e belos mosaicos. Abracei minha querida São Paulo do Ipiranga à Luz. Viajei pela República...

Ouvi vozes estranhas e gritos por independência: Os pombos, os cães, a polícia, o homem, o bicho...
Aí meus olhos se fixaram despropositadamente no bico dos sapados. Não sei por quê.

A cada passo chutava um fato, a cada fato um político e meus votos.
A cracolândia era o retrato do que eu ajudara a construir; ou destruir.
Senti calafrios.
Faltou-me uma bebida; café, uma graça, e uma bandeira.

Sobre a vida


O novo chocolate, à primeira mordida, tem um gosto amargo...
_ chega ser frustrante.
Depois que o degustamos ­_ humm!
É um verdadeiro encanto.

Na vida precisamos ter paciência.

A vitória exige paciência
O sucesso exige paciência
Um projeto exige paciência
A felicidade tem suas origens na paciência.
A própria paciência exige confiança e paciência, porquanto,
A paciência é um pacote dinâmico de artifícios com vários atributos.

O gosto final da nossa peleja, vida a fora, também depende do que extraímos desse pacote dinâmico, passo a passo.
Porque o destino se forma laço a laço.
Pra onde quer que se vá vai-se passo a passo, não importa o caminho.

O homem andava pela rua, sob a garoa paulistana, quando um carro do ano, blindado e vidro fumê, passa numa poça d’água próxima à calçada e lança aquela onda nos pedestres.  O transeunte gesticula, xinga, solta palavrões, e segue; mas já envergonhado e arrependido pelo seu comportamento.

Minutos depois entra na farmácia do shopping e alguém lança sobre ele um olhar fulminante. O homem estremece. Amor à primeira vista? Ele é tímido, mas é um tímido que tem atitude.

Durante o café os dois falam de cinema, música e literatura, o que os leva por ideias excêntricas a discutir as estranhezas de certos dias. Por fim ele fala do banho que levara na calçada. Ela, diante tal narrativa se identifica e se revela provável réu confesso. E eles riem muito e ao final do encontro descobrem que ambos têm "pegada"...

Passado certo tempo, os amigos em comum, que tanto admiram o relacionamento invejável daquela família de respeito e romantismo, pergunta-lhes qual é o segredo e como se conheceram: 
“Paciência; paciência e bom humor”, eles dizem.

21 de set. de 2012

Alguém

Alguém
Pela rua, intrépido e calmo, ou não _
Não importa; passa
Quem passa, passa, vai
Ou volta.
E há um vulto na esquina
Ereto, atento.
Mas quem tem fé é cristão, é bento.

A música _ violão e viola _ o chapéu!...
No céu estrelas, óvni, beatas, véu...
A lua indiscreta,
Quieta!

Chora
 Aurora no bar,
Um alento.
Há um vulto na esquina
Ereto, atento.
Cheiro de frutas, fim de feira.
Uma a uma as portas se movimentam
As lojas silenciam-se,
Alaridos distantes
Transito lento;
É sexta.

Há um vulto na esquina
Ereto, atento.
O poste inerte, ao pensamento indiferente,
O que ascende a luz?
Há brisa, há vento...

Passam-se horas, um minuto, dir-se-ia, eterno,
O filósofo invejaria tal cruz
_ homem de terno, lerdo!... 

Tudo seduz, _ sol de inverno.
O verão tórrido daquele universo
O poeta o devoraria, verso a verso.

Há um vulto na esquina, alheio,
Ereto, atento. Feio!
Homem?
Ladrão, assassino, turista, pedófilo, ET, alma penada? Nada! nada! nada!... nada.

Digo “bom dia!” disfarço e passo.
Se há é invisível o abraço
Apenas o laço, o salto do assalto.

Ele move a cabeça e ri, discretamente.
Veja só, coitado, também é gente.


Apátrida


Sou católico apostólico, não sei por que, romano;
Carrego o peso do pecado imaginário
Por vezes feito, praticado,
Outras, pensado, desumano.

Na verdade sou mineiro transitabirano ­_
Exímio imitante de Drummond...
Despatriado, expatriado,
Entre os montes, cabisbaixo, calado,
Falando com o mundo
Olhando pra todo o lado...
Gritando, chorando, um silêncio alado;

Sem pai e sem mãe, ninguém!
Gato-do-mato,
Alguém que se orgulhe dos versos que faço...
E  sufoquem ou sufocados, pois,
O mundo não pode respirar.

O pensamento oxigena o cérebro
“Definitivamente o homem não deve pensar”.

Viver, apenas, basta. Aquém de tudo, sem prestígio,
Gato-do-mato...
Sorte incasto.