Poetray

BannerFans.com
Mostrando postagens com marcador livro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador livro. Mostrar todas as postagens

30 de jul. de 2014

Um minuto, por favor!

 Poetray Poetray




Um minuto, por favor!
Você é nosso convidado para uma leitura.

É com muita alegria que convidamos você para uma leitura diferente.

No livro “Um minuto, por favor! ”, o autor fala sobre as empresas de Telemarketing no Brasil, conta um pouco do seu passado e relata um período recente, de dificuldades; época em que trabalhava e estudava sob uma crise de depressão.
Os textos, apontamentos casuais escritos durante aquele período, é o conteúdo deste livro. O propósito é que seja útil, ou pelo menos, que sirva de inspiração para confirmar o imensurável valor que tem a vida.

Um forte abraço,
Poetray
Compre aqui o livro 'Nosso Tempo'

14 de out. de 2012

Estranho é ser diferente


         Uma pessoa estranha é uma pessoa comum. É aquela pessoa comum, mas que apresenta alguma diferência que desperta preconceito noutras pessoas comuns, inclusive estranhas. Existem pessoas estranhas e esquisitas, e existem pessoas tão esquisitas e estranhas que nem existem, pertencem ao imaginário. Identifica-se ao estranho e esquisito entre as pessoas comuns principalmente pela sua aparência, pois, ele apresenta, evidentemente, uma mistura de estranhezas: comporta-se de maneira diferente, é feio, desajeitado, geralmente é inibido ou se faz de muito extrovertido e engraçado. Convenhamos, uma pessoa estranha e esquisita é mais completa do que uma pessoa comum. As esquisitas e estranhas oriundas do imaginário são aquelas que logo que as avistamos formamos um breve conceito sobre elas e as alojamos no porão do nosso castelo assombrado. Lá é o quarto de hóspede daquilo que julgamos esquisito. Muitas vezes, com o passar do tempo, ao fazer uma faxina encontramos pessoas e coisas estranhas e esquisitas que já não são mais esquisitas, muito menos estranhas, e sim, extremamente queridas e úteis. Aí se tornam belas, estimadas e geniais. Mas o porão do castelo nunca fica vazio.
Raimundo era um hóspede frequente desses castelos assombrados. Vivia nos porões habitados por espectros e coisas exóticas. Circulava sem medo. Procurava sempre se adaptar o mais rápido possível para sentir-se confortado. Então ia com cuidado e gentilezas decorando o ambiente a seu gosto. _ Quando não se sabe o tempo da estadia, melhor é agir como se se alojasse em moradia permanente, até que seja convidado a transferir-se para outro aposento mais sociável _ assim pensava ele sobre as novas amizades. Raimundo é sim um estranho; estranho e esquisito, não necessariamente nessa ordem. Ele é tímido, não consegue sorrir. Fica tempo demais olhando para o nada e qualquer insignificância o detém. Ele olha para muita coisa de importante e não vê nada e no nada se prende a valores ocultos. As evidências lhe causa estranheza. Ele curte música clássica, gosta de Chico B. e fala sozinho. Se tivesse o dom para certas ciências e invenções certamente se tornaria um homem de conquistas. Mas ele não o tinha. Ele tinha o dom da esquisitice e as ironias da vida colaboram para que no campo das excentricidades se estabelecesse. Sim, evoluíra sim, graças às adversidades do campo da hipocrisia. Ele é realmente esquisito; ele fala sozinho!
Ele ouvia Chico Buarque enquanto descia a COHAB, não ouviu que alguém o chamava. Vez por outra parava e anotava alguma coisa. Não olhava para os lados e quando o fazia olhava pra lugar nenhum, não era pra ver nada; olhava pra dentro de si buscando um pensamento arisco que lhe escapara.
_ Ei! Raimundo, espera! _ uma voz penetrou-lhe ao término da música “Iolanda”. Parou e olhou para os lados, ninguém conhecido. Prosseguiu.
Conhecidos o achava medíocre, orgulhoso e exibido. Estranhos o achava estranho. Mas quando alguém o atraia para a realidade ele era “todo ouvidos”, se sentia feliz e até orgulhoso e importante, mesmo que fosse atraído apenas para uma informação ou um bom dia. Percebe-se que era fácil cometer enganos e que era fácil enganá-lo.
_ Oi, Raimundo, pera ai! _ a voz agora mais próxima o desligara da introdução de “Minha História” que Chico entoara.
Ao olhar pra traz, na direção do portão de um prédio viu a mulher ofegante. Era Flávia, uma amiga, uma antiga paquera, uma pessoa especial.
_ Oi, Flávia, desculpe _ justiçou – eu tava com fone de ouvido.
_ Tudo bem, eu devia saber _ sorriu expressiva _ você vive com isso no ouvido! O que tá ouvindo, axé ou pop? _ e olhando-o de cima a baixo _ Aonde vai assim tão bonito, com tanta pressa?
_ Chico Buarque de Holanda _ e colocando o fone no ouvido dela pontuou: _, o melhor da MPB; e eu to indo matar alguém para que alguém enfim viva. _ Mas ela não prestou atenção na última informação.
_ Melhor que Caetano?
_ Melhor é melhor ou tanto quanto _ riu _, depende do momento.
_ Não entendi. _ pensou um pouco e desviou para o assunto que a fizera descer correndo as escadas do prédio. _ Quero que me empreste um livro de filosofia. Trabalho de escola, manja? Eu sei que você tem. Um dia você tava lendo e falou dele com tanto entusiasmo que eu nunca esqueci. Era uma história meio infantil, parece.
_ Tá bom, qual é o livro?
_ Não sei.
_ Como assim, não sabe _ riu novamente _; de repende o livro é da biblioteca municipal.
_ Ai que bom! _ exclamou mordendo o lábio inferior e balançando a cabeça negativamente _ ganhei o dia. Fiz você sorrir duas vezes.
_ Bom, não vem ao caso, deixa. _ Desconcertado, abriu a mochila e pegou a caneta _ anota meu telefone e me liga de tardezinha. Quando eu voltar eu...
_ Olha pra mim _ moveu o rosto dele para que a encarasse _ Não fica sem jeito; eu sei que você é casado; eu sei que você não me quer... tudo bem, respeito isso. Mas você não sente nada por mim? Não me deseja, não pensa em mim?...
_ É Prometeu e Epimeteu _ deixou escapar um suspiro; voltou-se para mochila novamente, fechou o zíper já seguindo em frente _, vou trazê-lo pra você.
_ É o que tem caixa de pandora? _ ela gritou.
_ Exato! _ ele se virou e confundiu um pouco mais dizendo: _ Quando estou com Chico, prefiro Chico; quando estou Caetano, prefiro Caetano.
_ Ele me ama! Ele me ama! _ ela dizia, e atravessou o portão mordendo os lábios e gritando _ Ele me ama!
E quando subia as escadas parou estarrecida e dizendo: _ Meu Deus do céu! Ele vai matar quem?
Ela voltou correndo para a rua, mas ele já havia desaparecido.

Júlia vivera história parecida a um conto de fadas. Seu sapo transformara em príncipe logo no primeiro beijo. Era da plebe, mas era de caráter notável. Mas a menina fora criada como uma princesa e educada na ilusão de um dia partir numa linda carruagem ou entrelaçando-se na cintura de um grande amor que a levasse à torre de um castelo cavalgando um cavalo branco; portanto não soube reconhecer o bom companheiro que sempre esteve ao seu lado no cenário da sua realidade urbana. Abandonara-o e entregou-se aos sonhos. Mas a efêmera aventura que vivera nem chegou a conhecer a felicidade, só descobrira que ela, a felicidade, estivera antes contigo sem os brilhos cintilantes, porém vivazmente ativa. O príncipe nem era sequer gentil. Do conto de fadas herdara um belo garoto, pequeno príncipe, que fazia a alegria da sua vida. Arrependera-se e quis voltar, mas o sapo, frágil mutante, não suporta a mais de uma metamorfose, o a mor verdadeiro é o seu último estágio.

Trecho do livro "Um minuto, por favor".